Saúde Mental: E quem cuida de quem cuida?

Saúde Mental: E quem cuida de quem cuida?
Daniela Hernandez de Barros
O paradoxismo do título é proposital para inquietar os leitores, visto que no cotidiano acelerado, os cuidadores — sejam profissionais da saúde, familiares de idosos, mães solos ou pessoas que acompanham alguém em sofrimento psíquico — assumem uma carga emocional e física muitas vezes invisível. Enquanto oferecem apoio, atenção e estabilidade aos outros, acabam negligenciando as próprias necessidades. O resultado pode ser exaustão, adoecimento emocional e o chamado burnout do cuidador.
Psicólogos alertam que cuidar de alguém exigem muitos recursos internos e que precisam ser repostos. Pausas, rede de apoio, divisão de tarefas, acompanhamento psicológico e políticas públicas que reconheçam essa demanda são medidas essenciais. O cuidado só se sustenta quando é recíproco: quem cuida também precisa ser cuidado.
Em um cenário onde o sofrimento emocional cresce, olhar para os cuidadores é uma questão de saúde pública. Valorizar, apoiar e oferecer condições reais de descanso e acolhimento é fundamental para que o cuidado, na ponta, continue existindo.
No Brasil, um levantamento com mais de 2.500 cuidadores — a maioria familiares — mostrou que cerca de 80% não têm formação na área da saúde, e 83% não são remunerados pelo trabalho que realizam.  Muitas vezes, assumem o papel por laços de proximidade e por não terem condições financeiras de contratar apoio profissional.
Além disso, há evidências de que cuidadores enfrentam maiores riscos de sofrimento psíquico: desconforto, depressão e ansiedade são comuns, especialmente quando o cuidado requer dedicação intensa e prolongada.
Esses dados revelam que há uma fatia significativa de pessoas que atuam como cuidadores sem apoio formal, sem reconhecimento e, sobretudo, sem suporte para cuidar de si mesmas.
Diante desse cenário, torna-se urgente questionar: quem cuida de quem cuida? Para garantir saúde, dignidade e qualidade de vida, é essencial que cuidadores tenham acesso a redes de apoio — grupos de convivência, suporte psicológico, descanso, políticas públicas de assistência e reconhecimento social. Só assim o cuidado será sustentável — sem que o preço seja a saúde mental e a qualidade de vida de quem cuida.
Daniela Hernandez de Barros, Psicóloga (CRP 15/3726) e Jornalista (MTB 2027/AL). Formada pelo Centro Universitário CESMAC; Especialista em Urgência, Emergência e Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) pela UNIT; Capacitação em Psicologia Jurídica e Processos Psicológicos Criminais, Capacitação em Avaliação Psicológica, Capacitação em Psicologia Breve.
Atendimentos adultos e supervisão (modalidade online) Fone 82 991262411

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