{"id":25405,"date":"2026-02-03T07:35:43","date_gmt":"2026-02-03T10:35:43","guid":{"rendered":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/?p=25405"},"modified":"2026-02-03T07:35:43","modified_gmt":"2026-02-03T10:35:43","slug":"quebra-de-xango-de-1912-intolerancia-religiosa-e-a-resistencia-dos-terreiros-de-maceio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/quebra-de-xango-de-1912-intolerancia-religiosa-e-a-resistencia-dos-terreiros-de-maceio\/","title":{"rendered":"Quebra de Xang\u00f4 de 1912: intoler\u00e2ncia religiosa e a resist\u00eancia dos terreiros de Macei\u00f3"},"content":{"rendered":"<header class=\"news-header\" data-base-font=\"14\">\n<figure data-base-font=\"14\"><figcaption data-base-font=\"14\">Foto: Jonathan Lins\/ Secom Macei\u00f3<\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<section class=\"news-content --content block-internal\" data-base-font=\"14\">\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">Na hist\u00f3ria de Macei\u00f3, o ano de 1912 permanece como uma marca profunda de viol\u00eancia, intoler\u00e2ncia e racismo religioso. O epis\u00f3dio conhecido como\u00a0<strong data-base-font=\"18\">Quebra de Xang\u00f4<\/strong>\u00a0representou uma tentativa brutal de eliminar a presen\u00e7a das religi\u00f5es de matriz africana em Alagoas, por meio da persegui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica a terreiros, lideran\u00e7as religiosas e s\u00edmbolos sagrados.<\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">Na madrugada do dia 2 de fevereiro, dezenas de casas de culto foram invadidas e destru\u00eddas por mil\u00edcias particulares. Objetos lit\u00fargicos foram queimados em pra\u00e7a p\u00fablica, tambores silenciados \u00e0 for\u00e7a e m\u00e3es e pais de santo obrigados a esconder sua f\u00e9 para sobreviver. A viol\u00eancia n\u00e3o atingiu apenas os espa\u00e7os f\u00edsicos, mas feriu a dignidade, a mem\u00f3ria e a ancestralidade de um povo inteiro.<\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">O Quebra de Xang\u00f4 de 1912 permanece como um dos cap\u00edtulos mais dolorosos da hist\u00f3ria de Macei\u00f3. Com a viol\u00eancia, muito da cultura afro-brasileira presente em Alagoas se perdeu. Tambores foram quebrados, objetos sagrados destru\u00eddos, cantos interrompidos. O som que ecoava nos terreiros foi substitu\u00eddo pelo medo. Hist\u00f3rias, toques, rezas e fundamentos deixaram de ser transmitidos como antes.<\/span><\/p>\n<div class=\"single-section-box single-section-img single-box-center\" data-base-font=\"14\">\n<figure data-base-font=\"14\"><a href=\"https:\/\/cdnpm.dhost.cloud\/imagens\/IMG_3843.jpeg\" data-fancybox=\"images\" data-base-font=\"14\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/maceio.al.gov.br\/transform\/imagens\/_845xAUTO_crop_center-center_none\/IMG_3843.jpeg\" alt=\"Babalorix\u00e1 C\u00e9lio Rodrigues diz que epis\u00f3dio afetou mem\u00f3ria coletiva. Foto: Jonathan Lins\/ Secom Macei\u00f3\" data-base-font=\"14\" \/><\/a><figcaption data-base-font=\"16\"><small class=\"img-credits\" data-base-font=\"14\">Babalorix\u00e1 C\u00e9lio Rodrigues diz que epis\u00f3dio afetou mem\u00f3ria coletiva. Foto: Jonathan Lins\/ Secom Macei\u00f3<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">Para o babalorix\u00e1 C\u00e9lio Rodrigues, o impacto do Quebra de Xang\u00f4 ultrapassa o que \u00e9 poss\u00edvel mensurar. \u201cQuando os tambores foram silenciados, n\u00e3o foi s\u00f3 o som que se perdeu. Perdeu-se parte da mem\u00f3ria, da cultura e da identidade de um povo. Cada objeto quebrado carregava uma hist\u00f3ria, um ensinamento, uma liga\u00e7\u00e3o com os ancestrais\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">Segundo ele, o medo imposto naquele per\u00edodo obrigou o povo de terreiro a se esconder. \u201cMuitos terreiros fecharam, outros passaram a rezar baixo, quase em sil\u00eancio. Isso causou uma ruptura profunda. Mesmo assim, o ax\u00e9 encontrou caminhos para continuar existindo, ainda que ferido\u201d, relata.<\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">Mais de um s\u00e9culo depois, a lembran\u00e7a desse epis\u00f3dio segue viva como alerta e como for\u00e7a. \u201cO Quebra de Xang\u00f4 n\u00e3o conseguiu acabar com nossa f\u00e9, mas deixou marcas que precisam ser reconhecidas para que nunca mais se repitam. Rezar alto hoje \u00e9 um gesto pol\u00edtico. \u00c9 dizer que sobrevivemos, que estamos aqui e que nossa f\u00e9 n\u00e3o precisa mais se esconder. Cada toque de tambor \u00e9 um chamado \u00e0 mem\u00f3ria dos que vieram antes de n\u00f3s.\u201d, refor\u00e7a Pai C\u00e9lio.<\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\"><strong data-base-font=\"18\">Xang\u00f4 Rezado Alto: mem\u00f3ria, f\u00e9 e repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica<\/strong><\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Como forma de preservar essa mem\u00f3ria e transformar dor em resist\u00eancia coletiva, a Funda\u00e7\u00e3o Municipal de A\u00e7\u00e3o Cultural realiza anualmente o\u00a0<strong data-base-font=\"18\">Xang\u00f4 Rezado Alto<\/strong>, evento que relembra a tentativa de apagamento das religi\u00f5es afro e celebra a retomada p\u00fablica da f\u00e9 que foi silenciada em 1912. Diferente do per\u00edodo em que os tambores precisaram calar, hoje o som ecoa como afirma\u00e7\u00e3o de identidade e liberdade religiosa.<\/p>\n<div class=\"single-section-box single-section-img single-box-center\" data-base-font=\"14\">\n<figure data-base-font=\"14\"><a href=\"https:\/\/cdnpm.dhost.cloud\/imagens\/IMG_6660.jpeg\" data-fancybox=\"images\" data-base-font=\"14\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/maceio.al.gov.br\/transform\/imagens\/_845xAUTO_crop_center-center_none\/IMG_6660.jpeg\" alt=\"Evento acontece anualmente para relembrar o acontecido em 1912 e celebrar a resist\u00eancia do povo de terreiro. Foto: Aaron Neves\/ Ascom FMAC\" data-base-font=\"14\" \/><\/a><figcaption data-base-font=\"16\"><small class=\"img-credits\" data-base-font=\"14\">Evento acontece anualmente para relembrar o acontecido em 1912 e celebrar a resist\u00eancia do povo de terreiro. Foto: Aaron Neves\/ Ascom FMAC<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">O evento \u00e9 constru\u00eddo de forma conjunta com os terreiros de Macei\u00f3, a partir do di\u00e1logo e da escuta das lideran\u00e7as religiosas. Ap\u00f3s reuni\u00e3o com os representantes do povo de santo, ficou definida a realiza\u00e7\u00e3o do Xang\u00f4 Rezado Alto no dia 21 de mar\u00e7o, refor\u00e7ando o compromisso coletivo com o respeito, a mem\u00f3ria e a valoriza\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras.<\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">O presidente da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de A\u00e7\u00e3o Cultural (FMAC), Myriel Neto, destaca que a a\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para a constru\u00e7\u00e3o de uma cidade mais justa. \u201cO Xang\u00f4 Rezado Alto \u00e9 mais do que um evento cultural. \u00c9 um ato de reconhecimento, de escuta e de respeito ao povo de terreiro. A cidade precisa lembrar para n\u00e3o repetir e, principalmente, para valorizar quem sempre resistiu\u201d, pontua.<\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\"><span data-base-font=\"18\">Ao transformar sil\u00eancio em som e apagamento em mem\u00f3ria viva, Macei\u00f3 reafirma que os tambores que tentaram calar em 1912 seguem batendo.<\/span><\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Assessoria<\/p>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Jonathan Lins\/ Secom Macei\u00f3 Na hist\u00f3ria de Macei\u00f3, o ano de 1912 permanece como uma marca<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25407,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60],"tags":[],"class_list":["post-25405","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25405"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25405\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25408,"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25405\/revisions\/25408"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/4cantosalagoas.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}